Um operador doutor
- Claudio Vilas Bôas
- 30 de jul.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 2 dias

Na Embasa como operador

No Booster do Joanes, em Lauro de Freitas, encontramos Eder Carvalho, operador da Embasa que concilia suas atividades na empresa com a docência em Biologia na Universidade Católica dio Salvador (UCSal). Eder é um daqueles doutores que nos orgulhamos de chamar de doutor: humilde, de personalidade tranquila e praticante da essência da ciência socrática expressa na máxima: “Só sei que nada sei”. Pai de três: Lucca de 6 anos, Matteo de 4 e Liz de 2, entre válvulas e livros, construiu uma trajetória admirável no mundo acadêmico e no mundo do saneamento. Há 21 anos na Embasa, Eder é a prova da qualificação da força de trabalho da empresa. O BoletimChãoDeFábrica conversou com este operador/doutor.
BChãoDeFábrica – Eder, conte um pouco da sua trajetória na Embasa.
Eder - Entrei na Embasa em 2005, quando ainda estava na graduação. Passei alguns meses na Bolandeira e, logo depois, fui transferido para o Booster do Joanes, onde estou até hoje. Passei por várias chefias e mudanças de escala de turnos, sempre atuando na captação do Rio Joanes.
BChãoDeFábrica – E sua carreira acadêmica? Conte um pouco sobre ela. Seu doutorado foi desenvolvido sob qual tese?
Eder – Fiz licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Católica do Salvador (UCSal) e mestrado e doutorado em Ecologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), concluídos em 2016. Desde 2013, também dou aulas na UCSal.
Sempre trabalhei com espécies exóticas e invasoras de invertebrados aquáticos e terrestres. Minha tese tratou da invasão de uma espécie de siri marinho e de uma espécie de caramujo de água doce, analisando os efeitos desses organismos sobre a comunidade de organismos que vivem no mesmo ambiente.
Além da Bioinvasão, oriento trabalhos de Iniciação Científica (IC) e Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) voltados para biologia e ecologia aquática, abordando temas como poluição, alterações bióticas e químicas da água, toxicologia ambiental e levantamento de espécies.
BChãoDeFábrica– Por isso, é tão importante o papel de uma empresa como a Embasa no tratamento do esgoto e na prevenção da poluição dos nossos ambientes aquáticos, não é?
Eder – Estudos em nossos mananciais que extrapolem as análises físico-químicas básicas são extremamente importantes para avaliar a qualidade da água que chega para tratamento. Da mesma forma, estudos dos emissários e das galerias pluviais, ou de outros sistemas de escoamento que, invariavelmente, chegam ao mar, são essenciais para confirmar que a empresa não esteja contribuindo para a poluição do ambiente.
BChãoDeFábrica– Você aplica muito do seu conhecimento acadêmico na operação, no dia a dia? De que forma?
Eder – Sim, sempre. Consigo utilizar esse conhecimento para compreender o comportamento de substâncias químicas presentes na água captada na barragem ou entender os motivos da coloração e do cheiro da água que está sendo bombeada. Sempre é possível aplicar esse conhecimento diretamente.
BChãoDeFábrica– E você leva os aprendizados adquiridos na Embasa para seus alunos na faculdade?
Eder – Com certeza. Peço para os alunos levarem amostras de água para analisarmos na faculdade. Fazemos análises físicas, químicas e biológicas dessas amostras. Além disso, eles sempre me perguntam como aquela água “suja”, coletada em um rio próximo de casa, pode ser transformada em água potável. Os conhecimentos adquiridos na Embasa me ajudam bastante a responder essas perguntas.
BChãoDeFábrica– Considerações finais.
Eder - A experiência na Embasa e a atuação na universidade se complementam. O conhecimento adquirido em uma área fortalece a outra, permitindo compreender melhor os desafios relacionados aos recursos hídricos e compartilhar esse aprendizado com os alunos, aproximando a teoria da prática.




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