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O operador que faz filantropia

ronaldoprado12
3 de set.
3 min de leitura

Harleson Xavier, de apenas 23 anos, há mais de três anos como operador na Embasa, na Estação de Rio de Contas (Unidade de Caetité), é um daqueles operadores que, entre um plantão e outro, vive a vida como ela é, mas também faz acontecer para viver no mundo que quer. Como diria o grande poeta e compositor Vinicius de Moraes: “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Foi nessa caminhada que Harleson encontrou o Projeto Sementes do Amanhã — nome que já entrega o cuidado com as crianças atendidas. O Boletim Chão de Fábrica bateu um papo com esse operador que faz a diferença através da filantropia.

Na operação na Eta de Rio de Contas
Na operação na Eta de Rio de Contas

BCF: Em Pedagogia da Indignação, o saudoso Paulo Freire diz: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” O que é o Projeto Sementes do Amanhã dentro da importância da educação?


Harleson: A educação é a base de tudo. O projeto tem a missão de transformar a vida dessas crianças, mostrando que, através dos estudos, da cultura, da arte e do respeito coletivo, essas pequenas sementes podem se tornar grandes cidadãos no futuro.

Eu costumo dizer o seguinte: na ETA, a gente cuida da saúde do corpo levando água; no projeto, a gente cuida do futuro das pessoas levando oportunidade.


BCF: Qual é a ação do projeto, de maneira direta?


Harleson: A gente atende crianças e famílias das comunidades mais carentes. Oferecemos reforço escolar, apoio para o dia a dia e um lugar seguro para elas aprenderem através das oficinas de capoeira, artes, turismo, alimentação saudável, entre outras.

Uma das histórias que mais me marca é a do José Augusto. Ele chegou até nós sem conseguir ler nem escrever direito, totalmente desanimado e perto de repetir o ano na escola. A gente sentou do lado dele, teve paciência, ensinou o passo a passo e acompanhou as tarefas. No final do ano, ver o nome dele na lista dos aprovados e a felicidade dele ao perceber que era capaz… Isso vale mais do que qualquer pagamento.


BCF: Qual é a sua formação acadêmica? Ela o inclinou a participar do projeto?


Harleson: Sou formado em Gestão Pública e sou técnico em Edificações. Porém, os diplomas não foram o fator determinante. Antes mesmo de me formar, eu já ajudava as comunidades com doações de cestas básicas. Foi justamente durante uma dessas entregas de alimentos que conheci o Sementes do Amanhã e fui convidado para ajudar como voluntário.

Na filantropia no Sementes do Amanhã que fica localizado na Rua Alto do Cruzeiro, Bairro Vermelhão, SN, Rio de Contas - BA.
Na filantropia no Sementes do Amanhã que fica localizado na Rua Alto do Cruzeiro, Bairro Vermelhão, SN, Rio de Contas - BA.

BCF: Quantas crianças são atendidas e qual é a faixa etária delas? Por que você se identifica tanto com este projeto?


Harleson: Atendemos aproximadamente 60 crianças, na faixa de 6 a 12 anos. Eu me identifico tanto porque, com meus 9 anos de idade, eu e meus irmãos passávamos por dificuldades por não possuirmos alimentos em casa. Éramos em oito filhos e apenas minha mãe para cuidar de todos nós.

Graças a projetos sociais e voluntários, fomos incentivados a nunca desistir. Hoje, estando do outro lado, trabalho para que essas crianças também enxerguem novas oportunidades e um futuro melhor.

Vamos nos movimentar criançada
Vamos nos movimentar criançada

BCF: Você hoje é coordenador do projeto. O que você pretende com ele?


Harleson: Minha missão é transformar o máximo de vidas possível. Quero mostrar a essas crianças, que muitas vezes vivem em uma realidade limitada, que existe um mundo inteiro cheio de oportunidades esperando por elas.


BCF: Como as pessoas podem ajudar o projeto?


Harleson: Apoiando nossas oficinas, através de doações e ajudando a divulgar nosso trabalho. Toda forma de ajuda é muito bem-vinda e faz a diferença.

Nosso Instagram é @sementes_do_amanha_rc. Através dele, as pessoas podem se apropriar desta história e, com pouco, ajudar a fazer a diferença.


BCF: Obrigado por falar conosco, do Boletim Chão de Fábrica, e parabéns pelo projeto. Deixe seus agradecimentos e suas palavras finais.


Harleson: Agradeço ao Boletim Chão de Fábrica pelo espaço e a toda a nossa equipe de voluntários e famílias pela confiança diária.

O trabalho na Embasa garante o meu sustento, mas o projeto alimenta a minha alma.

Seguimos juntos, cultivando o amanhã!

 
 
 

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